COLUNA
Cirurgia de Escoliose
Deformidades da coluna em adolescentes e adultos: avaliação, acompanhamento e quando a correção cirúrgica entra.
Agendar avaliaçãoRadiografia da coluna vertebral mostrando curvatura lateral (escoliose)
Dr. Victor BatistelaNeurocirurgiãoCRM-PR 35044 · RQE 30580

O que é escoliose
Uma curva lateral, com rotação
Escoliose é uma curvatura lateral da coluna, geralmente acompanhada de rotação das vértebras. Vista de trás, a coluna deveria ser reta; na escoliose, ela forma uma ou mais curvas em C ou em S. A curvatura é medida em graus, o ângulo de Cobb, em uma radiografia de corpo inteiro.
A forma mais comum é a idiopática do adolescente, que surge durante o estirão de crescimento sem uma causa identificável. Existem também as congênitas, as neuromusculares e a degenerativa do adulto, que aparece com o desgaste dos discos e das articulações.
Na maioria das pessoas, a escoliose é leve e não causa problemas. O que define a conduta é a magnitude da curva, a probabilidade de progressão e os sintomas.
Anatomia
Como a curva é medida
A radiografia de corpo inteiro, em pé, é o exame que mede a curva e acompanha sua evolução.

- 1
Ápice da curva
A vértebra mais afastada da linha central — o ponto de maior desvio.
- 2
Vértebras limite
As vértebras mais inclinadas acima e abaixo do ápice, que delimitam a curva.
- 3
Ângulo de Cobb
O ângulo entre as vértebras limite. É a medida, em graus, usada para acompanhar a curva.
- 4
Rotação vertebral
Além de curvar, as vértebras giram — é o que produz a saliência de um lado das costas.

Adolescente e adulto
Caminhos diferentes
No adolescente, o foco é o potencial de progressão durante o crescimento. A escoliose costuma ser percebida por sinais visíveis — um ombro ou uma escápula mais alta, cintura assimétrica, uma elevação de um lado das costas ao inclinar o corpo — mais do que por dor.
No adulto, a escoliose costuma estar associada ao desgaste dos discos e das articulações, e o principal motivo de consulta é a dor lombar, a dor irradiada para as pernas ou a dificuldade para ficar em pé por muito tempo — não a curva em si.
- Adolescente: acompanhar a progressão durante o crescimento
- Adulto: tratar a dor e a compressão de nervos associadas
- Nos dois: atividade física é recomendada e não piora a curva
Como é feita a avaliação
Medir, acompanhar, decidir
Etapa 01
Avaliação clínica
Exame físico com o teste de inclinação para frente, estatura e, no adolescente, a estimativa do crescimento restante.
Etapa 02
Radiografia panorâmica
Em pé, de frente e de perfil: mede o ângulo de Cobb e avalia o alinhamento global. Ressonância em situações específicas.
Etapa 03
Acompanhamento da progressão
Radiografias a cada alguns meses mostram se a curva está estável ou progredindo. A decisão depende dessa evolução.
Etapa 04
Decisão
Observar, colete ou cirurgia — conforme magnitude, progressão, idade e sintomas.
Dois caminhos
Observação e colete ou correção cirúrgica
Observação e colete
- Curvas pequenas, sem progressão e sem sintomas: acompanhamento com radiografias periódicas
- Colete em adolescentes com curvas moderadas e crescimento restante: não corrige a curva, mas pode reduzir a chance de progressão
- Fisioterapia específica para controle postural e dor
- No adulto: medicação, fisioterapia e bloqueios quando indicados
Correção cirúrgica
- Curvas de magnitude elevada que tendem a progredir mesmo após o fim do crescimento (em geral, acima de 45–50 graus no adolescente)
- Progressão documentada apesar do colete ou do acompanhamento
- No adulto: dor que não responde ao conservador, compressão de nervos ou desequilíbrio do tronco
- Curvas muito grandes com repercussão na função respiratória
Os critérios são gerais e dependem da avaliação individual. // TODO(validar): faixas de graus e critérios — revisão clínica.

Como é a cirurgia de correção
Fixar, corrigir, preservar mobilidade
A técnica mais comum é a artrodese instrumentada: parafusos e hastes corrigem a curva e fixam os níveis operados, que se consolidam com enxerto ósseo. A extensão da fixação é planejada para corrigir o alinhamento preservando o máximo possível de mobilidade nos demais níveis.
Em casos selecionados, o planejamento pode contar com navegação robótica para a colocação dos parafusos. Depois da cirurgia, o acompanhamento verifica a consolidação e o alinhamento com radiografias periódicas, e a reabilitação é gradual.
Quando não esperar
Sinais que não esperam a consulta
Os três primeiros pedem pronto-socorro. O último pede consulta em pouco tempo.
- fraqueza ou dormência súbita nas pernas
- dificuldade para controlar urina ou intestino
- dor intensa após trauma
- progressão visível da curva em poucos meses, durante o crescimento (avaliação rápida, não pronto-socorro)
Perguntas frequentes
- Não. Curvas pequenas, sem progressão e sem sintomas, em geral são apenas acompanhadas com radiografias periódicas. O tratamento depende do grau da curva, da idade, do potencial de crescimento e dos sintomas.
- O colete não corrige a curva já existente; o objetivo dele é reduzir a chance de progressão durante o crescimento, em adolescentes com curvas moderadas. Depois que o crescimento termina, o colete deixa de ter indicação.
- A artrodese fixa os níveis operados, que perdem mobilidade entre si. Os demais segmentos continuam móveis. A extensão da fixação é planejada para corrigir a curva preservando o máximo de níveis livres possível.
- Sim. No adolescente, o foco é o potencial de progressão durante o crescimento. No adulto, a escoliose costuma estar associada a desgaste dos discos e das articulações, e o principal motivo de consulta é a dor ou a compressão de nervos, não a curva em si.
- Atividade física é recomendada e não piora a curva. Programas específicos de fisioterapia podem ajudar no controle postural e na dor. Nenhum exercício, sozinho, corrige uma curva estruturada.
Agende uma avaliação
A consulta serve para entender o quadro e definir o próximo passo. Nem toda condição exige cirurgia.
Este canal não substitui atendimento de urgência. Em caso de emergência, procure um pronto-socorro.

